29 novembro 2005

Padre “fechado” na sacristia, já saiu

A povo de Ranhados, no concelho de Mêda (Guarda) "fechou" o padre na Igreja para impedir que ele saia da paróquia. O prelado não quer ir embora e a população também luta há cerca de dois meses para impedir a sua saída.
No domingo seria o último dia do padre na paróquia e no final da missa, a população não deixou que ele saísse da sacristia.
A luta já se arrasta desde Outubro, altura em que autocarros com paroquianos foram a Lamego para pedir ao bispo, para que voltasse atrás na decisão de substituir o pároco.
A semana passada a Igreja, revelava novos procedimento de conduta para quem queria praticar esta religião.Estalando por isso, grande polémica.
Muitos disseram; quem quer fazer parte desta Igreja, tinha que se submeter às suas regras …
Então, em que ficamos?

Acidente de viação faz vitima no IP5

Um acidente de viação causou, na noite de 2ª feira, a morte do condutor do Renault 11, no IP5, na zona de Freixiosa. O acidente deu-se por volta das 23h00.

Todo o cuidado é pouco. Este amontoado de chapas era um carro com um condutor.

Agora nada existe! Boa Viagem!

28 novembro 2005

Crucifixos nas escolas públicas

Associação reclama separação entre Igreja e escolas de uma vez por todas. Ministra da Educação mandou investigar e acrescenta que, caso se confirmem ilegalidades, lei é para cumprir. A Associação explica a sua exigência pelo cumprimento da lei da seguinte forma: «À escola deve incumbir ensinar a ciência e não difundir a fé, cultivar o conhecimento e não celebrar a crença, estimular a investigação e não exercer o catecismo, suscitar o debate e não impor a convicção. A escola não deve orientar para a adesão a qualquer sistema ideológico ou filosófico, não deve dirigir para qualquer filiação partidária, nem encaminhar ou conduzir para qualquer convicção ou devoção religiosa», defendem.

27 novembro 2005

O CRIME...

Descubra o culpado: Mas primeiro pense e depois responda!!! Tendo chegado ao conhecimento de um Delegado da Delegacia de Homicídios de uma certa metrópole a notícia criminal de um homicídio,instaurou-se o devido inquérito policial: Apurou-se, no decorrer do processo de investigação, a existência de uma testemunha que havia presenciado os fatos. Arguída pelo delegado, a testemunha levou-o ao suspeito. Lá chegando, o delegado deparou-se com um problema grave: o suspeito tinha um irmão gêmeo idêntico. Portanto, a testemunha não conseguiu apontar o autor do fato delituoso. Na dúvida, o delegado prendeu os dois irmãos. Após um mês na prisão, ainda sem vislumbrar a autoria do homicídio, um dos dois irmãos engordou quase 15 quilos, o outro permaneceu com o mesmo peso de quando fora preso. Analisando detalhadamente os fatos e os acontecimentos, o delegado chegou à conclusão da autoria: Liberou o gêmeo gordo e indiciou o outro (magro) por homicídio. Pergunta-se: Qual o fundamento técnico e jurídico para a liberação do irmão gordo e para o indiciamento do irmão magro? Tente adivinhar a resposta antes de saber o final

24 novembro 2005

Um Ó Brigada aos 30 anos de cantigas

São 30 anos, multiplicados por outros tantos caminhos e amigos, que a Brigada Victor Jara celebra.

Da Brigada, reza a história que, em 1975, um grupo de jovens de Coimbra participou nas campanhas de alfabetização do MFA, na região da Beira Baixa, tocando e cantando, música de origem chilena, assim como portuguesa de intervenção. Ao descobrirem a riqueza da música popular dessa região, decidiram dedicar–se ao “tratamento” de toda a música tradicional portuguesa. Nascia assim a Brigada Victor Jara, nome dado em homenagem ao poeta e cantor chileno assassinado na ditadura de Pinochet. Três décadas passadas sobre os tempos da estrada e da mobilização, depois de muitos palcos, muitos amigos, muitas cantigas e outras tantas cumplicidades.

Matricula enganadora ...

Matricula curiosa.

Pagar ... quem eu?

Como os Portugueses lidam com o estacionamento ... pago!

20 novembro 2005

Luzes e mais luzes

Mangualde ... A cidade já brilha. As luzes que enfeitam as ruas lembram que Natal poderá ser todos os dias. A esperança é a última a morrer … assim seja.

A carroça dos Poetas

Várias vezes vai a Mangualde com a familia às compras.
Letra e música: Sérgio Godinho
Arre burro pra Loulé, carregado de café
Arre burro para a Guarda, carregado de mostarda
Arre burro pra Viana, carregado de banana
Arre burro pra Lisboa, carregado
Com os restos mortais
Do Fernando Pessoa
E mais os seus trinta heterónimos
- Nem vão caber nos Jerónimos

A Carroça dos Poetas
Segue à solta a Poesia
E eu vou dentro a recitar
O poema da minha autoria

Meu amor eu gosto tanto
Da forma como tu gostas
Mas por favor anda buscar
As tuas unhas às minhas costas

16 novembro 2005

Autarcas protestam … e nós ?

Os autarcas vão partir para os protestos contra os cortes previstos no Orçamento de Estado para 2006 . O presidente da Associação de Municípios anunciou que os autarcas vão começar a cobrar por serviços até agora gratuitos e colocar as bandeiras a meia haste. E se nós fizéssemos o mesmo? Cobrar juros dos serviços pagos e mal prestados ou não prestados pelas autarquias? ex.(Selo carro-Estradas/Água/Esgotos/Contribuição Autárquica etc...etc.)

14 novembro 2005

Não queremos deveres! Só direitos.

Chocou-me particularmente ouvir, hoje, uma professora dizer que era contra o aumento da idade da reforma e a reorganização da componente não lectiva e dos horários escolares. Muitos dos professores têm que, na falta de um colega, acompanhar turmas com alunos que nem sequer conhecem, dizia essa professora de uma escola de Felgueiras. Acrescentou ainda, que “ dentro da sala de aula é quase impossível controlar alunos que não conhecemos, eles querem sair a todo o custo. Para nós é constrangedor chamar a atenção de um aluno, e tratá-lo por “Ó tu aí “ e não pelo nome próprio”. Mas afinal se é assim tão difícil, como será para essa senhora o primeiro contacto com os alunos todos os inícios de ano? È difícil não é? … Pois é! Quem a manda ser professora. Tantas profissões, tanta gente e havia de cair, por azar, esta profissão no seu diploma.

13 novembro 2005

Quentes e boas!...

- Mamã, dá-me 2 € para dar a uma senhora que está a gritar muito na rua. - Que rico coração! E o que diz a senhora, meu filho? - Quentes e boas!...
Carlos do Carmo: O homem das Castanhas Música: Paulo de Carvalho Letra: Ary dos Santos
Na Praça da Figueira, ou no Jardim da Estrela, num fogareiro aceso é que ele arde. Ao canto do Outono,à esquina do Inverno, o homem das castanhas é eterno. Não tem eira nem beira, nem guarida, e apregoa como um desafio.
É um cartucho pardo a sua vida, e, se não mata a fome, mata o frio. Um carro que se empurra, um chapéu esburacado, no peito uma castanha que não arde. Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado o homem que apregoa ao fim da tarde. Ao pé dum candeeiro acaba o dia, voz rouca com o travo da pobreza. Apregoa pedaços de alegria, e à noite vai dormir com a tristeza.
Quem quer quentes e boas, quentinhas? A estalarem cinzentas, na brasa. Quem quer quentes e boas, quentinhas? Quem compra leva mais calor p'ra casa.
A mágoa que transporta a miséria ambulante, passeia na cidade o dia inteiro. É como se empurrasse o Outono diante; é como se empurrasse o nevoeiro. Quem sabe a desventura do seu fado? Quem olha para o homem das castanhas? Nunca ninguém pensou que ali ao lado ardem no fogareiro dores tamanhas.
Quem quer quentes e boas, quentinhas? A estalarem cinzentas, na brasa. Quem quer quentes e boas, quentinhas? Quem compra leva mais amor p'ra casa.

12 novembro 2005

Se fossem de outra côr!

Milhões de árvores no mundo são plantadas acidentalmente por esquilos que enterram nozes e não se lembram onde as esconderam.

LENDA DAS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA - V

Simão tapou o rosto, sem dizer palavra. Mas no íntimo do seu coração gritava desesperadamente um nome: Violante! O burburinho aumentava. A multidão comprimia-se. A execução ia ter o seu início, mesmo em frente da nova igreja de Santa Engrácia, cujas obras já tinham começado. Cabisbaixo, sempre silencioso, Simão Pires deixou-se conduzir. As ceri­mónias para tirar a vida a um homem sob a égide da Justiça são morosas e solenes. Simão assistiu a tudo como se estivesse ausente. Amarraram-no sobre a pira de lenha. Acenderam a fogueira. Mas quando as labaredas envolveram o corpo de Simão, este gritou desesperadamente: — É tão certo morrer inocente do que me acusam, como estas obras da igreja nunca mais acabarem! O povo que o escutou entreolhou-se, confuso. Que teriam a haver as obras da igreja com o roubo que ele cometera? O povo só mostrou curiosidade enquanto Simão deu sinais de vida. Mal o viram morto, todos se foram embora, como quem regressa a casa após um espectáculo. E tudo quanto se relacionava com o roubo pareceu morrer com ele. Os anos foram seguindo. Imperturbáveis. Sem descanso. Violante, a jovem e gentil noviça de Santa Clara, fez a vontade ao seu pai: professou, com o nome de Maria do Céu. E um dia, muito tempo depois da morte de Simão, encontrando-se num convento em Orense, (5) foi chamada de urgência para assistir aos últimos momentos de um pobre ladrão. Ela admirou-se: — É a mim que ele deseja falar, senhor padre capelão? — Sim, madre. — Mas... não o conheço... — Ele insiste. E penso que deve fazer-lhe a vontade. — Mas... porquê? — Deus é grande! Vá, reverenda madre! Vá, enquanto a vida não se apaga daquele corpo... E madre Maria do Céu saiu a caminho da prisão. A atmosfera era pesada. A luz fraca. Madre Maria do Céu sentia-se confusa, nem sabia bem porquê. Aproximou-se do preso. Vendo-a, este reanimou-se um pouco: — Madre, minha madre, eu sei que vou morrer! Por isso vos chamei. — Mas... porquê? — Porque só a vós, madre Maria do Céu, outrora noviça de Santa Clara, quero confessar um segredo. — Que segredo? — Um segredo que tem sido o remorso de toda a minha vida! — Dizei, então! Respirando a custo, o prisioneiro confessou: — Sou um miserável gatuno, minha madre! Suavemente, ela retorquiu-lhe: — É a Deus, Nosso Senhor, que tendes de dar contas dos vossos actos, e não amim! — É certo... Mas o que tenho para dizer-vos... interessa-vos pessoal­mente! A freira abriu os olhos como quem não entende bem, mas não inter­rompeu o moribundo. Este continuou, embora a custo: — Lembrais-vos ainda de Simão Pires? Este nome soou como dobrar de finados no coração da pobre freira. Receou ter ouvido mal. Trémula, perguntou: — Dissestes... Simão Pires? — Sim! — E... porque me falais dele? — Porque... fui eu que o conduzi à morte! — Vós? Como? — Fui eu que roubei os cálices de ouro e as sagradas partículas da igreja de Santa Engrácia! Sabia que ele passava ali todas as noites com o cavalo de cascos entrapados para vos ir ver. A freira murmurou: — Oh, meu Deus... poupai-me! Mas o moribundo continuou: — Assim... facilmente fiz recair as suspeitas sobre Simão Pires... Calculava que devia gostar muito de vós e não desejasse comprometer--vos. Mas agora... agora que vou morrer... precisava desabafar! Talvez o meu castigo seja menor!... A freira não conseguiu suster as lágrimas. Mas os votos que fizera haviam-na desligado das coisas mundanais. Ergueu-se e murmurou: — Que Deus vos perdoe, como eu vos perdoo! E silenciosamente retirou-se para o seu convento. Morreu o ladrão. Morreu depois a madre Maria do Céu. Nada pare­cia memorar o triste caso de Santa Engrácia. Mas um facto bem singular acontecia: as obras do novo templo, começadas quando da execução de Simão Pires, dir-se-ia não mais terem fim! E de tal modo que o povo se habituou a sentenciar acerca de tudo que não chega ao seu termo: «Ora! É como as obras de Santa Engrácia!» (6)

FIM

(5) — ORENSE — Cidade da Galiza, capital da província do mesmo nome, situada na margem esquerda do rio Minho. (6) — AS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA — Expressão tipica­mente lisboeta, que o povo emprega quando pretende designar aqui­lo que foi começado e não mais se acaba. Esta expressão surgiu do facto, que se tornou jocoso, das obras da igreja de Santa Engrácia não mais chegarem a bom termo, o que parecia confirmar a inocên­cia do pobre Simão Pires.

10 novembro 2005

LENDA DAS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA - IV

— Pois vou avivar-lhe a memória. Há dias que tem andado a preparar o roubo sacrílego das sagradas partículas e dos cálices de ouro da igreja. E ontem efectuou esse roubo! Simão sentiu-se verdadeiramente indignado. Bradou: — É falsa essa acusação! Falsa e indigna! O outro apressou-se a intervir. — Se é falsa, como explica o senhor que eu o tenha visto a cavalo, fora de horas, junto da igreja de Santa Engrácia? E ainda por cima com os cas­cos do cavalo entrapados!... Vamos, justifique-se! Simão fechou os punhos. Depois levou uma das mãos ao rosto, que logo destapou para encarar o meirinho, afirmando com voz decidida: — Juro que estou inocente! Deus bem o sabe! O meirinho cerrou as sobrancelhas. — A sua jura não me serve. Ou diz o que fez ontem à noite, ou tenho de o prender. — Já disse que estou inocente desse roubo indigno de um homem! Mas não posso dizer o que fazia ontem à noite junto da igreja de Santa Engrácia! — Então... considere-se preso! A recusa obstinada de Simão em confessar o que fizera na noite do roubo, embora negasse esse mesmo roubo, acabou por fazer acreditar o juiz da culpabilidade do réu. E Simão foi condenado à morte, apesar dos seus veementes protestos de inocência. Quando o jovem se convenceu que já nada havia a fazer, todo o seu rompante se diluiu. A desgraça marcara-o. Não sabia, sequer, como rea­gir. Quando o último minuto soou, o meirinho acercou-se dele. A sua voz era quase carinhosa. Não compreendia bem porquê, mas custava-lhe a acreditar no gravíssimo pecado que imputavam a Simão. — Vamos, Simão Pires! Chegou a tua última hora! Prepara-te para morrer! Simão olhou-o numa expressão dolorosa. — O tribunal, então, não me quis ouvir? O meirinho não lhe sustentou o olhar. — Não, Simão Pires. O tribunal somente pode actuar diante de provas... e as provas são todas contra ti. Simão meneou a cabeça. — O homem que me viu continua a afirmar que fui eu que roubei? — Sim. É a principal testemunha de acusação. — Pois que Deus me valha, já que nada mais posso fazer! — Podes, sim! — O quê? — Confessar o que fizeste naquela noite... — Prefiro morrer! — E morrerás, Simão, morrerás!
Amanhã continua …