12 novembro 2005

LENDA DAS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA - V

Simão tapou o rosto, sem dizer palavra. Mas no íntimo do seu coração gritava desesperadamente um nome: Violante! O burburinho aumentava. A multidão comprimia-se. A execução ia ter o seu início, mesmo em frente da nova igreja de Santa Engrácia, cujas obras já tinham começado. Cabisbaixo, sempre silencioso, Simão Pires deixou-se conduzir. As ceri­mónias para tirar a vida a um homem sob a égide da Justiça são morosas e solenes. Simão assistiu a tudo como se estivesse ausente. Amarraram-no sobre a pira de lenha. Acenderam a fogueira. Mas quando as labaredas envolveram o corpo de Simão, este gritou desesperadamente: — É tão certo morrer inocente do que me acusam, como estas obras da igreja nunca mais acabarem! O povo que o escutou entreolhou-se, confuso. Que teriam a haver as obras da igreja com o roubo que ele cometera? O povo só mostrou curiosidade enquanto Simão deu sinais de vida. Mal o viram morto, todos se foram embora, como quem regressa a casa após um espectáculo. E tudo quanto se relacionava com o roubo pareceu morrer com ele. Os anos foram seguindo. Imperturbáveis. Sem descanso. Violante, a jovem e gentil noviça de Santa Clara, fez a vontade ao seu pai: professou, com o nome de Maria do Céu. E um dia, muito tempo depois da morte de Simão, encontrando-se num convento em Orense, (5) foi chamada de urgência para assistir aos últimos momentos de um pobre ladrão. Ela admirou-se: — É a mim que ele deseja falar, senhor padre capelão? — Sim, madre. — Mas... não o conheço... — Ele insiste. E penso que deve fazer-lhe a vontade. — Mas... porquê? — Deus é grande! Vá, reverenda madre! Vá, enquanto a vida não se apaga daquele corpo... E madre Maria do Céu saiu a caminho da prisão. A atmosfera era pesada. A luz fraca. Madre Maria do Céu sentia-se confusa, nem sabia bem porquê. Aproximou-se do preso. Vendo-a, este reanimou-se um pouco: — Madre, minha madre, eu sei que vou morrer! Por isso vos chamei. — Mas... porquê? — Porque só a vós, madre Maria do Céu, outrora noviça de Santa Clara, quero confessar um segredo. — Que segredo? — Um segredo que tem sido o remorso de toda a minha vida! — Dizei, então! Respirando a custo, o prisioneiro confessou: — Sou um miserável gatuno, minha madre! Suavemente, ela retorquiu-lhe: — É a Deus, Nosso Senhor, que tendes de dar contas dos vossos actos, e não amim! — É certo... Mas o que tenho para dizer-vos... interessa-vos pessoal­mente! A freira abriu os olhos como quem não entende bem, mas não inter­rompeu o moribundo. Este continuou, embora a custo: — Lembrais-vos ainda de Simão Pires? Este nome soou como dobrar de finados no coração da pobre freira. Receou ter ouvido mal. Trémula, perguntou: — Dissestes... Simão Pires? — Sim! — E... porque me falais dele? — Porque... fui eu que o conduzi à morte! — Vós? Como? — Fui eu que roubei os cálices de ouro e as sagradas partículas da igreja de Santa Engrácia! Sabia que ele passava ali todas as noites com o cavalo de cascos entrapados para vos ir ver. A freira murmurou: — Oh, meu Deus... poupai-me! Mas o moribundo continuou: — Assim... facilmente fiz recair as suspeitas sobre Simão Pires... Calculava que devia gostar muito de vós e não desejasse comprometer--vos. Mas agora... agora que vou morrer... precisava desabafar! Talvez o meu castigo seja menor!... A freira não conseguiu suster as lágrimas. Mas os votos que fizera haviam-na desligado das coisas mundanais. Ergueu-se e murmurou: — Que Deus vos perdoe, como eu vos perdoo! E silenciosamente retirou-se para o seu convento. Morreu o ladrão. Morreu depois a madre Maria do Céu. Nada pare­cia memorar o triste caso de Santa Engrácia. Mas um facto bem singular acontecia: as obras do novo templo, começadas quando da execução de Simão Pires, dir-se-ia não mais terem fim! E de tal modo que o povo se habituou a sentenciar acerca de tudo que não chega ao seu termo: «Ora! É como as obras de Santa Engrácia!» (6)

FIM

(5) — ORENSE — Cidade da Galiza, capital da província do mesmo nome, situada na margem esquerda do rio Minho. (6) — AS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA — Expressão tipica­mente lisboeta, que o povo emprega quando pretende designar aqui­lo que foi começado e não mais se acaba. Esta expressão surgiu do facto, que se tornou jocoso, das obras da igreja de Santa Engrácia não mais chegarem a bom termo, o que parecia confirmar a inocên­cia do pobre Simão Pires.

10 novembro 2005

LENDA DAS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA - IV

— Pois vou avivar-lhe a memória. Há dias que tem andado a preparar o roubo sacrílego das sagradas partículas e dos cálices de ouro da igreja. E ontem efectuou esse roubo! Simão sentiu-se verdadeiramente indignado. Bradou: — É falsa essa acusação! Falsa e indigna! O outro apressou-se a intervir. — Se é falsa, como explica o senhor que eu o tenha visto a cavalo, fora de horas, junto da igreja de Santa Engrácia? E ainda por cima com os cas­cos do cavalo entrapados!... Vamos, justifique-se! Simão fechou os punhos. Depois levou uma das mãos ao rosto, que logo destapou para encarar o meirinho, afirmando com voz decidida: — Juro que estou inocente! Deus bem o sabe! O meirinho cerrou as sobrancelhas. — A sua jura não me serve. Ou diz o que fez ontem à noite, ou tenho de o prender. — Já disse que estou inocente desse roubo indigno de um homem! Mas não posso dizer o que fazia ontem à noite junto da igreja de Santa Engrácia! — Então... considere-se preso! A recusa obstinada de Simão em confessar o que fizera na noite do roubo, embora negasse esse mesmo roubo, acabou por fazer acreditar o juiz da culpabilidade do réu. E Simão foi condenado à morte, apesar dos seus veementes protestos de inocência. Quando o jovem se convenceu que já nada havia a fazer, todo o seu rompante se diluiu. A desgraça marcara-o. Não sabia, sequer, como rea­gir. Quando o último minuto soou, o meirinho acercou-se dele. A sua voz era quase carinhosa. Não compreendia bem porquê, mas custava-lhe a acreditar no gravíssimo pecado que imputavam a Simão. — Vamos, Simão Pires! Chegou a tua última hora! Prepara-te para morrer! Simão olhou-o numa expressão dolorosa. — O tribunal, então, não me quis ouvir? O meirinho não lhe sustentou o olhar. — Não, Simão Pires. O tribunal somente pode actuar diante de provas... e as provas são todas contra ti. Simão meneou a cabeça. — O homem que me viu continua a afirmar que fui eu que roubei? — Sim. É a principal testemunha de acusação. — Pois que Deus me valha, já que nada mais posso fazer! — Podes, sim! — O quê? — Confessar o que fizeste naquela noite... — Prefiro morrer! — E morrerás, Simão, morrerás!
Amanhã continua …

09 novembro 2005

Ai como eu invejo as Galinhas!

Devido ao provável surto de gripe das aves, avisa-se a população em geral, que se devem deitar o mais tarde possível.
Nunca, mas nunca, se deitem com as galinhas… Não vá o diabo tece-las.

LENDA DAS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA - III

— Que se passa? O meirinho sorriu ironicamente, ao responder: — Passa-se... que está preso em nome de El-Rei! — Preso? — Sim! E voltando-se para o outro homem que o acompanhava: — Tens a certeza de que é este o homem que procuramos? O outro respondeu: — Sim, senhor meirinho, é este mesmo. Chama-se Simão Pires e é cristão-novo. Não admira, portanto, que tenha feito o que fez! Simão olhava os homens com perplexidade. — Não compreendo! De que me acusam? O outro homem ia falar, mas o meirinho fez-lhe um sinal imperativo com a mão para que se calasse. E voltando-se para Simão: — Responda-me apenas a três perguntas. Primeira: andou ontem à noite com o seu cavalo rondando a igreja de Santa Engrácia? (4) Simão não respondeu logo. O meirinho insistiu. — Seja franco. Andou ou não? — Andei por ali... O outro homem sorriu. O meirinho continuou: — Segunda pergunta: o seu cavalo levava os cascos entrapados para não fazer barulho? Simão mordeu ligeiramente os lábios. Receava, não por si, mas por Violante. Todavia, o meirinho continuava insistindo: — Vamos! Responda só a verdade! Simão decidiu-se: — É verdade. O outro exultou: — Eu não dizia, senhor meirinho? Foi ele mesmo! O meirinho tornou dura a sua expressão. — Vamos, Simão Pires! Já agora, responda à terceira pergunta: que andava a fazer a essas horas junto da igreja de Santa Engrácia? Simão silenciou. Porém o meirinho tornou-se ainda mais duro: — Vamos! Exijo que responda! O jovem abanou a cabeça, numa negativa: — Não posso. — Não pode porquê? — Porque não devo. — Pois bem! Também eu não devo hesitar mais. Considere-se preso. — Porquê? — Bem sabe porquê!— Não sei!
(4) — IGREJA DE SANTA ENGRÁCIA — Igreja paroquial edifica¬da a S. O. do campo de Santa Clara. A esta igreja está ligado um roubo sacrílego cometido a 6 de Janeiro de 1630: o sacrário foi arrombado e roubadas partículas consagradas e o cálice de ouro e pedrarias. Para desagravo, projectou-se a construção de um novo templo, de maior grandeza. Mas quando a nova igreja estava quase concluída, ruiu a cúpula — por erro do arquitecto, ao que se diz. Em 1682 foi encarregado novo arquitecto do prosseguimento das obras, mas surgiram novas dificuldades na edificação da cúpula. Em 1816 ainda as obras prosseguiam, fazendo e desfazendo sem resultado. Mais tarde foi montada uma cobertura metálica, mas não se chegou a concluir a igreja. Só agora, decorridos 367 anos após a execução de Simão Pires, essas obras foram concluídas, destinando-se o templo a Panteão Nacional.
Amanhã continua …

08 novembro 2005

Pensamento 1

Para imprimir e Pintar!
"Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente, sempre pelas mesmas razões"
(FRANCIS BANARD)

07 novembro 2005

LENDA DAS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA - II

— Nunca o permitirei! — Mas ele insiste... — Se for necessário, hei-de raptar-te! Levar-te-ei para longe! — Seria a desonra para os meus! — Que pretendes então fazer? — Esperar! Deus velará pela nossa felicidade! — Esperar! Já começo a estar cansado! Tenho de agir! — E qual é a tua resolução? — Pedir-te que escolhas: obedeceres a teu pai e ficares aqui no con­vento... ou fugires comigo! A jovem noviça tapou o rosto com as mãos. Chorava silenciosamente. Simão impacientou-se: — Não te compreendo, Violante. Se realmente gostas de mim, não vejo motivo para tanta inquietação. A não ser que eu já nada represente para ti! Violante mostrou o seu rosto bonito coberto de lágrimas. E declarou com veemência: — Simão! Bem sabes como te amo! — Então porque hesitas? — Porque não devo decidir assim, sem reflectir. E suplicante: — Dá-me um prazo, Simão. Por pequeno que seja. Preciso de pensar! Simão respirou fundo, a ganhar calma. — Pois bem: amanhã à noite virei saber a tua resposta. Ela sorriu ainda por entre as lágrimas. — Está bem! Amanhã à noite ficará tudo decidido. Em baixo ouviu-se um tropel de cavalos que se aproximavam. Violante assustou-se: — Vai-te, Simão! Vem aí gente! Ele abraçou-a e segredou-lhe ao ouvido: — Até amanhã, meu amor! E desceu, rápido, a esconder-se na noite escura. A manhã sorriu à noite, que se afastou num passo cadenciado. Sorriu buliçosa, toda luz e cor. Simão dormia, mas foi também despertado. Não pelo sorriso fresco da manhã, mas pelo bater rude de alguém que gritava à porta da sua casa: — Abra em nome de El-Rei! (2) Simão vestiu-se com rapidez. Às pancadas fortes continuavam soando na porta. O jovem gritou: — Vou já!Quando a porta se abriu, dois homens entraram. Um deles era o meirinho. (3) Simão indagou, surpreendido:

(2) — EM NOME DE EL-REI — Expressão que no tempo da Monarquia era usada pelas autoridades no exercício da Justiça, e que a República substituiu pela expressão: Em nome da Lei. (3) — MEIRINHO — Antigo oficial de Justiça a quem era dado o direi­to de prender, penhorar e executar mandatos judiciais. Corresponde hoje ao oficial de diligências.

Amanhã continua …

LENDA DAS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA - I

SIMÃO (1) cavalgava apressado, envolvido na capa negra. A noite acolhia-o. Mal chegara e logo ela encontrara o moço Simão Pires — um cristão novo — cavalgando direito ao convento de Santa Clara. Era assim quase todos os dias. Nem esperava pelo seu fim. Ousado e valente, Simão não cuidava, sequer, de tapar o rosto. Mas o crepúsculo avisava a noite, e esta vinha logo encobri-lo. De quantos amores às escondidas a noite é cúmplice! Também era ainda a noite que ajudava Violante — uma linda noviça — a sair ao jardim para falar a sós com o seu bem-amado. Porque ela não pensava ser freira. Ela amava Simão. Amava-o profundamente. Porém, seu pai, fidalgo arrogante, afas¬tara-a do caminho do seu amor, encerrando-a num convento. O cavalo parou a um simples esticão de rédeas. Ali estava o muro. Breve cairia a escada de corda. O coração pulou-lhe. A escada tocou no muro. Simão deixou o cavalo, que sabia esperar pacientemente, e subiu. As suas mãos, no cimo, tocaram outras mãos. O seu rosto, outro rosto. Saltou para a cerca. Estavam, finalmente, juntos. — Querida Violante! Esta espera mata-me! Sem ti não saberei viver! Ela ciciou quase, anichada nos braços fortes do seu bem-amado: — Meu amor, acalma-te! Eu penso como tu mas... teremos de saber esperar um pouco mais... Ele disse com arrebatamento: — Não posso! Vou amanhã mesmo falar com o teu pai! A noviça apertou-lhe as mãos. — Não... não faças isso por agora! E numa voz quase chorosa: — Hoje o meu pai esteve aqui... falei com ele... mas encontrei-o inflexível. Quer que eu professe! A jovem sentiu-se mais presa do abraço forte de Simão. A voz do bem-amado soou rouca aos seus ouvidos:
(1) — SIMÃO — Trata-se do jovem hebreu Simão Pires Solis, acusado de roubo sacrílego, e que foi queimado vivo em 3 de Novembro de 1631. A sua inocência foi depois provada.
Amanhã continua …

A tradição … ainda poderá ser respeitada como era!

O que me encantou não foi a Feira dos Santos como feira, como ela está projectada, como ela está “vendida” ou visitada. O que me encantou na Feira dos Santos foi ver a tradição que ainda resiste aos tempos modernos. Muitos que visitaram Mangualde neste fim-de-semana fazem este percurso há muitos anos a esta parte. Gente de experiências, que com um sorriso ao beber um copito de jeropiga, contavam as peripécias que viveram, ano após ano, nesta feira. É a vontade dessa gente com muita experiência que eu gostava de ver respeitada nesta Feira centenária. Era esta Feira cheia de histórias que eu queria respeitar e gostaria que outros, com muitas responsabilidades neste Concelho, a respeitassem também.

06 novembro 2005

Aqui a bola entra sempre, jogamos sem árbitro!

Computadores, Artes Gráficas, propagandistas e afins formam o grupo de Mangualdenses que volta a figurar na lista de 50 candidatos à Bola de Ouro, prémio instituído pela revista francesa France Football para eleger o melhor futebolista na Europa. Dois destes jogadores, o informático e o gráfico, figuram nas candidaturas às mais importantes distinções do ano, pois também concorrem ao prémio de melhor jogador mundial da FIFA, isto apesar de viverem momentos menos bons. O Informático vai parar, pelo menos, uma semana, depois de ter sofrido uma rotura muscular numa perna ao serviço do seu clube e também por ter tomado uns “comprimiditos”, oferta de um dos propagandistas e adversário na jogatina, enquanto o Gráfico foi alvo, também neste jogo, de uma cabeçada por parte de o afins e motivada, segundo os intervenientes, por flashes de uma máquina do repórter do Terreiro, a queixa já foi formalizada por alegada violação dos direitos de imagem.

05 novembro 2005

Inquérito de mobilidade

Muitos assustaram-se quando mandados parar.
Junto das bombas de gasolina do Ex. IP5, também estiveram. Agora que o traçado está feito quase concluído é que estão a fazer inquéritos? Será que vão aproveitar alguma coisa? Será que a nossa opinião aqui vai valer? Assim seja.

AMO-TE SARA

Passei pela frente da ESFA, em Mangualde, e reparei nesta declaração, no mínimo curiosa. Quem seria o autor e principalmente a visada SARA? Estou mesmo a ver! Logo pela manhã todas as “Saras”, mas todas sem excepção, daquela instituição de ensino, ao entrar deparam-se com tal declaração. Estou certo que foi um dia muito feliz e com olhares “sedutores”. Ai ai o amor!

Estou de Volta, hoje a sensação é igual à da primeira vez...

Estive em vias de usar a minha velha máquina.
Agradeço o empenho dos meus amigos dos computadores … sem eles ainda não estava de volta. Espero que me desculpem os telefonemas e as correrias para lhes pedir encarecidamente que só tivessem olhos para o meu computador. Voltei, ainda sinto as pernas a tremer … hoje a sensação é igual à da primeira vez.

27 outubro 2005

Sem computador! que ressaca diabólica.

Estou a ter problemas com o meu computador, tive que o levar para o técnico. Estão a demorar muito … muito … muito tempo a arranjar. Isto dos computadores é como uma droga, quando não os temos ficamos com uma ressaca diabólica. Pois é, e o contacto com os meus amigos não tem sido como eu desejaria, pelo facto as minhas desculpas.

A criança que vendia livros em Mangualde

No sábado passado bateu à porta de minha casa uma criança de 10 anos. Vinha com um saco de plástico na mão cheio de livros. Quando perguntei o que queria respondeu. - Ando na catequese em Mangualde. O senhor gostaria de comprar alguns destes livros? - Onde os arranjas-te? Perguntei! - Foram uns senhores do seminário que nos deram para vender, e custam 5 euros cada. Aquela criança vendia no bairro, porta a porta, alguns livros que lhe tinham dado na catequese. Tenho notado que é prática comum este tipo de situação, até porque esta criança não era a única em Mangualde a faze-lo no passado fim de semana. Nestes casos, sinceramente não sei o que pensar, nem responder. É claro que comprei um livro, o segundo volume de Mário Castrim “O lugar do Televisor” da Editorial Além-Mar. Mas fiquei a pensar ... e se alguém responsável pela defesa de menores / Trabalho infantil visse estas crianças a ajudar os Pais nas tarefas agricolas ou em pequenas empresas familiares, qual seria a atitude a tomar? Nesta época em que tanto se fala e vem a terreiro o trabalho infantil, qual será a melhor forma de ver estas coisas?

24 outubro 2005

Venha daí connosco!

Se nos acocorarmos nos nossos cantinhos de solidão, se olharmos a televisão, tantas vezes sem a ouvirmos ou vermos, se pegarmos num livro para disfarçar a nossa monotonia de um tempo que parece não ter existência, se ligarmos o telemóvel para escamotear a realidade de um espaço com fronteiras definidas e bem memorizadas, no cerne dos nossos pensamentos, poderá perpassar a ideia de que carecemos de qualquer coisa, para além de um quotidiano vazio e sem sentido. E é por este motivo que vos estou a informar que a nossa Universidade Sénior está prestes a abrir-nos "janelas" diversas que nos farão esquecer o peso de não mais se ser jovem: Artes , Canto, Tuna, Danças, Direito, Formação Musical, Francês, Geografia , Informática, Inglês, Lavores, Literatura Portuguesa, Teatro, Teologia, etc., etc. A inscrição e a mensalidade são meramente simbólicas, acessíveis à grande maioria das pessoas. Vamos despir-nos de preconceitos, de pruridos irracionais, de pudor e timidez, sem razão de existirem nas nossas idades e vamos inscrever-nos nesta Universidade, aberta a toda a comunidade e nas disciplinas que mais nos agradarem. As inscrições efectuam-se todas as 3ªs e 4ª-feiras, na Escola Secundária Felismina Alcântara, entre as 17h00 às 18h00, não se exigindo quaisquer habilitações literárias. A nossa Universidade é, essencialmente, um espaço de afecto, de convivência, de solidariedade, de bem-estar e, também, de aprendizagem como é óbvio, mas exames finais e "canudos" formais, a não ser os que ganhamos pelo prazer de perguntar, conhecer , saber e conviver. As palestras serão múltiplas e diversificadas, as exposições serão o que nós (alunos, professores, comunidade) quisermos que sejam. Os nossos encontros, as nossas viagens, serão actividades lúdicas e culturais e terão, como objectivos essenciais, conhecermo-nos e interagirmos com amizade. CONTAMOS CONVOSCO!

23 outubro 2005

Mas que coisa! Será que fazem de Mangualde um caixote do lixo?

Tenho a preocupação de limpar com regularidade o passeio em frente de minha casa. Práticas, felizmente de alguns vizinhos, que se preocupam com o aspecto e bem-estar de todos, sejam moradores ou apenas caminhantes. Isto tudo para revelar a minha indignação com o aspecto em que encontrei o passeio em frente de minha casa. Ora bolas … eu que limpo, eu que preservo, eu que me preocupo, tinham que vir estes senhores, sem dó nem piedade conspurcar o espaço que é de todos nós. Em principio os senhores que comeram a maça até nem são destas bandas, apenas estão cá de passagem, arranjam a estrada que liga Santo Amaro de Azurara a Mangualde e a rotunda junto à GNR mas não lhes dá o direito de fazer isto. Que sina esta vida tem…por um lado preservam, arranjam, cuidam, e por outro … No meu lugar o que fariam? Será que se eu os chamar a atenção ainda vou ouvir o que não quero? Pois se calhar! Por isso prefiro desabafar aqui no meu terreiro, porque até agora ainda não me deitaram nenhuma casca de maçã neste espaço que eu respeito e onde tenho sentido o carinho de todos aqueles que por cá vão passando.

22 outubro 2005

A Noite de Mangualde

Esta problemática já veio a terreiro diversas vezes, mas a situação continua, não se consegue inverter o estado a que Mangualde chegou. Ninguém, ninguém, ninguém. Porquê? Gostava de partilhar com todos vós a noite de Mangualde. Sexta-feira, dia 21 de Outubro de 2005, pelas 23 horas e 30 minutos, captei estas imagens para conseguirmos “degustar” Mangualde que, diga-se de passagem, é muito pouco acompanhada a estas horas. Logo que o sol se põe e as lojas comerciais encerram, Mangualde fica deserta. Qual a razão? Falta de Luz? Receio de andar pela noite? Divertimentos? … Penso que já não tem a ver com estas situações em particular, decerto ajudou, mas agora, na minha humilde opinião, penso que tem a ver com as mentalidades das nossas gentes. Não é moderno andar em Mangualde à noite, mas por outras paragens até é agradável. Faço esta afirmação porque já não é a primeira vez que vejo Mangualdenses nas noites de Viseu e Nelas. Será que com esta forma de encarar a situação vamos conseguir mudar Mangualde? Conseguir um Mangualde mais atractivo só depende de nós!

Rossio - Mangualde

Senhora do Castelo - Mangualde

20 outubro 2005

Editorial
… Acabam de vir a terreiro … … Se obrigarmos os nossos adversários a vir a terreiro … … Critiquei apenas a atitude de vir a terreiro … … Estes deveriam vir a terreiro … … Bastou um tal “MOCHO” vir a terreiro e eu comecei a ser leitor assíduo.
Pois é! Foi por estas e por outras que também eu quis vir a Terreiro. Já à muito acalentava a vontade de vir até cá e aqui estou, sem grandes coisas, apenas com Mangualde como pano de fundo, este Mangualde que ninguém quer ver ou finge não ver, este Mangualde que não tem merecido a devida atenção por parte de muitos com grandes responsabilidades neste Mangualde, que eu acredito ainda não estar moribundo nem muito menos abandonado … porquê? Porque estamos cá nós, Mangualdenses. Pela minha parte prometo vir a Terreiro mostrar Mangualde, o bom e o mau. Quem vier a Terreiro, espero que indique o melhor caminho para este nosso concelho que merece a nossa máxima atenção. Desta forma, poderemos construir, com as nossas opiniões, um melhor lugar para viver. Conto com todos!